sexta-feira, 20 de setembro de 2013

MENSAGEM GLÓRIA


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domingo, 1 de setembro de 2013

MUDANÇA


As mudanças no mundo do trabalho e as novas demandas de educação

Autoria: Francisco H. Lopes da Silva
As profundas modificações que têm ocorrido no mundo do trabalho trazem novos desafios para a educação. O capitalismo vive um novo padrão de acumulação decorrente da globalização da economia e da reestruturação produtiva, que passa a determinar um novo projeto educativo para os trabalhadores, independentemente da área, das atribuições ou do nível hierárquico em que atuem.
Como resposta às novas exigências de competitividade que marcam o mercado globalizado a exigir cada vez mais qualidade com menor custo, a base técnica de produção fordista, que dominou o ciclo de crescimento das economias capitalistas no pós 2ª  guerra até o final dos anos sessenta, vai aos poucos sendo substituída por um processo de trabalho resultante de um novo paradigma tecnológico apoiado essencialmente na microeletrônica, cuja característica principal é a flexibilidade. Este movimento, embora não seja novo, uma vez que se constitui na intensificação do processo histórico de internacionalização da economia, reveste-se de novas características, posto que assentado nas transformações tecnológicas, na descoberta de novos materiais e nas novas formas de organização e gestão do trabalho.
Estabelecem-se novas relações entre trabalho, ciência e cultura, a partir das quais constitui-se historicamente um novo princípio educativo, ou seja, um novo projeto pedagógico através do qual a sociedade pretende formar os intelectuais/trabalhadores, os cidadãos/produtores para atender às novas demandas postas pela globalização da economia e pela reestruturação produtiva. O velho princípio educativo, decorrente da base técnica da produção taylorista/fordista vai sendo substituído por um outro projeto pedagógico determinado pelas mudanças ocorridas no trabalho.
A pedagogia orgânica ao taylorismo/fordismo tinha por finalidade atender a uma divisão social e técnica do trabalho marcada pela clara definição de fronteiras entre as ações intelectuais e instrumentais, em decorrência de relações de classe bem definidas que determinam as funções a serem exercidas por dirigentes e trabalhadores no mundo da produção, o que resultou em processos educativos que separavam a teoria da prática.
O processo produtivo, por sua vez, tinha como paradigma a organização em unidades fabris que concentram grande número de trabalhadores distribuídos em uma estrutura verticalizada que se desdobra em vários níveis operacionais, intermediários (de supervisão) e de planejamento e gestão, cuja finalidade é a produção em massa de produtos homogêneos para atender a demandas pouco diversificadas. A organização da produção em linha expressa o princípio taylorista da divisão do processo produtivo em pequenas partes onde os tempos e movimentos são padronizados e rigorosamente controlados por inspetores de qualidade e as ações de planejamento são separadas da produção.
Era preciso, portanto, qualificar trabalhadores que atendessem as demandas de uma sociedade cujo modo dominante de produção, a partir de uma rigorosa divisão entre as tarefas intelectuais (dirigentes) e as operacionais, caracterizava-se por tecnologia de base rígida, relativamente estável. A ciência e a tecnologia incorporadas ao processo produtivo, através de máquinas eletromecânicas que trazem em sua configuração um número restrito de possibilidades de operações diferenciadas que exigem apenas a troca de uns poucos componentes, demandavam comportamentos operacionais pré-determinados e com pouca variação. Compreender os movimentos necessários a cada operação, memorizá-los e repeti-los ao longo do tempo, não exige outra formação escolar e profissional que o desenvolvimento da capacidade de memorizar conhecimentos e repetir procedimentos em uma determinada seqüência.
A pedagogia, em decorrência, propõe conteúdos que, fragmentados, organizam-se em seqüências rígidas; tendo por meta a uniformidade de respostas para procedimentos padronizados, separa os tempos de aprender teoricamente e de repetir procedimentos práticos e exerce rigorosamente o controle externo sobre o aluno. Esta pedagogia responde adequadamente às demandas do mundo do trabalho e da vida social, que se regem pelos mesmos parâmetros das certezas e dos comportamentos que foram definidos ao longo do tempo como aceitáveis.
Do paradigma taylorista/fordista decorrem várias modalidades de fragmentação no trabalho pedagógico, escolar e não escolar, que se constituem na expressão da divisão entre classes sociais no capitalismo: a dualidade estrutural, a partir da qual se definem tipos diferentes de escola, segundo a origem de classe e o papel a elas destinado na divisão social e técnica e trabalho; a fragmentação curricular, que divide o conhecimento em áreas e disciplinas trabalhadas de forma isolada que passam a ser tratadas como se fossem autônomas entre si e da prática social concreta, a partir da pretensa divisão da consciência sobre a ação, a partir do que a teoria se supõe separada da prática; a expressão desta fragmentação é a grade curricular, que distribui as diferentes disciplinas com suas cargas horárias por séries e turmas de forma aleatória, supondo que a unidade rompida se recupere como conseqüência "natural" das práticas curriculares, ficando por conta do aluno a reconstituição das relações que se estabelecem entre os diversos conteúdos disciplinares; as estratégias taylorizadas  de formação de professores, que promovem capacitação parcelarizada, por temas e disciplinas, agrupando os profissionais por especialidade, de modo a nunca discutir o trabalho pedagógico em sua totalidade, a partir do espaço de sua realização: a escola;o plano de cargos e salários, que prevê a contratação dos profissionais da educação por tarefas, ou jornadas de trabalho, e até mesmo por aulas ministradas, de modo que eles se dividem entre diversos espaços, sem desenvolver sentido de pertinência à escola; quando se representam, os professores evidenciam identidade com a área ou disciplina de sua formação, e não de professores da escola; a fragmentação do trabalho dos pedagogos, nas distintas especialidades, que foram criadas pelo Parecer 252/69 do Conselho Federal de Educação, praticamente superadas pelas tentativas de unificação nas agências de formação e nas escolas; esta fragmentação agora foi reeditada pela Lei 9394/96, no art 64.
O trabalho pedagógico, assim fragmentado, respondeu, e continua respondendo, ao longo dos anos, às demandas de disciplinamento do mundo do trabalho capitalista organizado e gerido segundo os princípios do taylorismo/fordismo, em três dimensões: técnico, político e comportamental.
A globalização da economia e a reestruturação produtiva, enquanto macro estratégias responsáveis pelo novo padrão de acumulação capitalista, transformam radicalmente esta situação, imprimindo vertiginosa dinamicidade às mudanças que ocorrem no processo produtivo, a partir da crescente incorporação de ciência e tecnologia, em busca de competitividade. A descoberta de novos princípios científicos permite a criação de novos materiais e equipamentos; os processos de trabalho de base rígida vão sendo substituídos pelos de base flexível; a eletromecânica, com suas alternativas de solução bem definidas, vai cedendo lugar à microeletrônica, que assegura amplo espectro de soluções possíveis desde que a ciência e a tecnologia, antes incorporadas aos equipamentos, passem a ser domínio dos trabalhadores; os sistemas de comunicação interligam o mundo da produção.
As novas demandas de qualificação, portanto, referem-se a um trabalhador de novo tipo, que atue na prática a partir de uma sólida base de conhecimentos científico-tecnológicos e socio-históricos, e ao mesmo tempo acompanhe a dinamicidade dos processos e resista ao "stress". Ao mesmo tempo, as novas tecnologias exigem cada vez mais a capacidade de comunicar-se adequadamente, através do domínio das formas tradicionais e novas de linguagem, incorporando, além da língua portuguesa, a língua estrangeira, a linguagem informática e as novas formas trazidas pela semiótica; a autonomia intelectual, para resolver problemas práticos utilizando os conhecimentos científicos, buscando aperfeiçoar-se continuamente; a autonomia moral, através da capacidade de enfrentar as novas situações que exigem posicionamento ético; finalmente, a capacidade de comprometer-se com o trabalho, entendido em sua forma mais ampla de construção do homem e da sociedade, através da responsabilidade, da crítica, da criatividade.
Embora no âmbito do processo produtivo como um todo a tendência seja a precarização do trabalho, do ponto de vista da concepção de qualificação para o trabalho, há avanços.
Solidamente fundamentada sobre a educação básica, a qualificação não repousa mais sobre a aquisição de modos de fazer, deixando de ser concebida, como o faz o taylorismo/fordismo, como conjunto de atributos individuais, predominantemente psicofísicos, centrados nos modos de fazer típicos do posto de trabalho. Ao contrário, passa a ter reconhecida a sua dimensão social e ser concebida como resultante da articulação de diferentes elementos, através da mediação das relações que ocorrem no trabalho coletivo, resultando de vários determinantes subjetivos e objetivos, como a natureza das relações sociais vividas e suas articulações, escolaridade, acesso a informações, domínio do método científico, riqueza, duração e profundidade das experiências vivenciadas, tanto laborais quanto sociais, acesso a espaços, saberes, manifestações científicas e culturais, e assim por diante.
Compreendida desta forma, a qualificação depende das possibilidades de acesso a informações, de interagir com meios e processos de trabalho mais avançados, de exercer sua autonomia e criatividade, de participar da definição das normas e das decisões que afetam suas atividades.2
Contudo, embora seja resultante das condições objetivas de vida e de trabalho, e portanto, resultante da práxis coletiva, a qualificação tem uma forte determinação das condições subjetivas, que incluem desejos, motivações, experiências e conhecimentos anteriores, o que faz com que muitos autores considerem inevitável investir na valorização da subjetividade dos trabalhadores nos processos de inovação.3
Em resumo, pode-se afirmar que a qualificação profissional resulta de articulações dinâmicas e contraditórias entre as relações sociais das quais resultam o trabalho coletivo e as possibilidades e limitações do trabalho individual, mediado pelas relações de classe, do que resultam articulações entre conhecimentos e experiências que envolvem as dimensões psicofísica, cognitiva e comportamental, as quais permitirão ao cidadão/produtor trabalhar intelectualmente e pensar praticamente, dominando o método científico, de modo a ser capaz de resolver problemas da prática social e produtiva.
Para desenvolvê-la é preciso outro tipo de pedagogia, determinada pelas transformações ocorridas no mundo do trabalho nesta etapa de desenvolvimento das forças produtivas, de modo a atender às demandas da revolução na base técnica de produção, com seus profundos impactos sobre a vida social. O objetivo a ser atingido é a capacidade para lidar com a incerteza, substituindo a rigidez pela flexibilidade e rapidez, de modo a atender a demandas dinâmicas, sociais e individuais, políticas, culturais e produtivas que se diversificam em qualidade e quantidade.
A partir desta concepção, resta bem diferenciada a finalidade da qualificação no taylorismo/fordismo da apresentada pelos processos produtivos reestruturados considerando a dupla mediação realizada pelas novas tecnologias de base microeletrônica e pelas novas estratégias de gestão: da capacidade bem definida para atuar de forma estável em processos tecnológicos pouco complexos no posto de trabalho para a qualificação entendida como capacidade potencial para atuar em situações não previstas, em processos dinâmicos com base tecnologicamente sempre mais complexa e a partir do conhecimento da totalidade do processo de trabalho, incluindo sua relação com os processos sociais e econômicos mais amplos.
É esta nova dimensão que tem justificado a contraposição do conceito de qualificação, que vem sendo desenvolvido no campo da esquerda, ao conceito de competência, desenvolvido pelo capitalismo nesta nova etapa de acumulação, como forma de demarcar a superação (por incorporação em patamares qualitativamente superiores) de uma concepção que nasce no âmbito de taylorismo/fordismo.
Como já se afirmou anteriormente, estas concepções se aproximam quando defendem um projeto pedagógico que, ao articular conhecimento geral e específico, teoria e prática, sujeito e objeto, parte e totalidade, dimensão disciplinar e transdisciplinar, permita ao aprendiz resolver problemas não previstos usando, de forma articulada, conhecimentos científicos, saberes tácitos, experiências e informações.
O que diferencia, estruturalmente, estas duas concepções, é o campo onde se situam, o que determinará a sua finalidade: a exploração dos trabalhadores para acumular o capital ou a emancipação humana através de uma nova forma de organização da produção, e portanto, da sociedade.
Do ponto de vista do currículo, da politecnia deriva o princípio pedagógico que mostra a ineficácia de ações meramente conteudistas, centradas na quantidade de informações que não necessariamente se articulam, para propor ações que, permitindo a relação do aluno com o conhecimento, levem à compreensão das estruturas internas e formas de organização, conduzindo ao "domínio intelectual" da técnica, expressão que articula conhecimento e intervenção prática. A politecnia supõe, portanto, uma nova forma de integração de vários conhecimentos, através do estabelecimento de ricas e variadas relações que quebram os bloqueios artificiais que transformam as disciplinas em compartimentos específicos, expressão da fragmentação da ciência.
Do ponto de vista da organização do trabalho pedagógico, a politecnia implica em tomar a escola como totalidade, em compreender a gestão como prática social de intervenção na realidade tendo em vista a sua transformação, e em uma nova qualidade na formação dos profissionais da educação, pedagogos e professores, a partir de uma sólida base comum que tome as relações entre sociedade e educação, as formas de organização e gestão do trabalho pedagógico, as políticas, os fundamentos e as práticas educativas, que os conduza ao "domínio intelectual da técnica.
A partir desta concepção, algumas conclusões se impõem; a análise do exercício laboral e da formação dos chamados trabalhadores flexíveis mostra que, embora presente no discurso a recomposição da unidade, nunca estiveram tão distantes da prática o poder de decidir, de criar ciência e tecnologia, de intervir em processos cada vez mais centralizados, tecnológica e gerencialmente. Pelo contrário, o trabalho da maioria está cada vez mais desqualificado, intensificado e precarizado, como resultado do novo regime de acumulação. Do que se conclui que, do ponto de vista da gestão empresarial, a recomposição da unidade do trabalho não passa de ampliação de tarefas do trabalhador, sem que isto signifique uma nova qualidade na formação, de modo a possibilitar o domínio intelectual da técnica.
O mesmo tem ocorrido com o trabalho dos profissionais da educação: suas tarefas estão sendo a cada dia ampliadas, num esforço de suprir na escola direitos que a sociedade não assegura, inclusive desempenhando funções que historicamente foram de responsabilidade das famílias; seu trabalho está sendo cada vez mais intensificado, com a progressiva extensão de jornadas de trabalho e trabalho domiciliar; suas condições de trabalho cada vez mais precarizadas, não só da perspectiva da escola e do salário, mas com sérias conseqüências sobre sua qualidade de vida e condições de existência: stress e outros problemas de saúde física e mental, alimentação, lazer, formação profissional continuada, acesso aos bens materiais e culturais, e assim por diante.
A divisão entre os que possuem os meios de produção e os que vendem sua força de trabalho cada vez mais se acentua na acumulação flexível, acirrando-se, ao contrário do que diz o novo discurso do capital, a cisão entre o trabalho intelectual, que compete cada vez a um número menor de trabalhadores, estes sim, com formação flexível resultante de prolongada e contínua formação de qualidade, e o trabalho instrumental cada vez mais esvaziado de conteúdo.
Em decorrência, a politecnia enquanto unidade entre teoria e prática, resultante da superação da divisão entre capital e trabalho, fica historicamente inviabilizada a partir das bases materiais de produção no capitalismo, em particular neste regime de acumulação. A unitariedade, portanto, só será possível através da superação entre capital e trabalho – verdadeira e única origem da divisão entre classes e das demais formas de divisão; inscreve-se, portanto, no campo da utopia, como condição a ser construída através da superação do capitalismo.
Ora, se o trabalho pedagógico, escolar e não escolar, ocorre nas e através das relações sociais e produtivas, ele não está imune às mesmas determinações. Ou seja, enquanto não for historicamente superada a divisão entre capital e trabalho, o que produz relações sociais e produtivas que têm a finalidade precípua de valorização do capital, não há possibilidade de existência de práticas pedagógicas autônomas; apenas contraditórias, cuja direção depende das opções políticas da escola e dos profissionais da educação no processo de materialização do projeto político-pedagógico.
Este, por sua vez, expressa os consensos e práticas possíveis em um espaço escolar ou não escolar atravessado por relações de poder, concepções teóricas, ideológicas e políticas também contraditórias, para não falar dos diferentes percursos de formação profissional. Esta análise mostra que nos espaços educativos capitalistas, a unitariedade do trabalho pedagógico enquanto trabalho que não se diferencia a partir da origem de classe dos seus alunos e de seus profissionais, também não é historicamente possível. Mas, isto significa que não se possa avançar?
É evidente que não; é preciso, contudo, considerar que a superação destes limites só é possível através da categoria contradição, que permite compreender que o capitalismo traz inscrito em si, ao mesmo tempo, a semente de seu desenvolvimento e de sua destruição. Ou seja, é atravessado por positividades e negatividades, avanços e retrocessos, que ao mesmo tempo evitam e aceleram a sua superação. É a partir desta compreensão que se deve analisar a unitariedade como possibilidade histórica de superação da fragmentação.
REFERÊNCIAS BIBLIOGÁFICAS.
BOLETIM TÉCNICO DO SENAC, Rio de Janeiro, v.27, n.3, set/dez, 2001.
FAYOL, Henry. Administração industrial e geral. São Paulo, Atlas, 1975.
KUENZER, Acacia Z.. As mudanças no mundo do trabalho e a educação: novos desafios para a gestão. In: FERREIRA, Naura S. C. Gestão democrática da Educação: atuais tendências, novos desafios. São Paulo, Cortez. 1998, p 33 a 58.
KUENZER, Acacia ( org ). Z. Ensino Médio: construindo uma proposta para os que vivem do trabalho. São Paulo, Cortez, 2000.
LERNER, D. O ensino e o aprendizado escolar: argumentos contra uma falsa oposição. IN: CASTORINA, J. Piaget e Vigotsky: novas contribuições para o debate.
LIBÂNEO, José C. Pedagogia e pedagogos, para quê?. São Paulo, Cortez, 1998.
MARX, K. O Capital, livro 1, capítulo VI inédito. São Paulo, Ciências Humanas.
MARX e ENGELS. A ideologia alemã. Portugal, Martins Fontes, s.d.
PERRENOUD, P. Construir as competências desde a escola. Porto Alegre, Artmed,1999.
RAMOS, M.N. A pedagogia das competências: autonomia ou adaptação? São Paulo, Cortez, 2001.
ROUPÉ e TANGUY. Saberes e competências. O uso de tais noções na escola e na Empresa. Campinas, Papirus, 1994.  ZARIFIAN, P. Objetivo: competências.

MENINOS E MENINAS DE RUAS

O drama de nossas ruas.

Por João Pedro Fontes Zagni
 
O drama urbano
O que leva a existência de meninos e moradores de rua é a falta de incentivo à educação e término do ensino fundamental ou médio no país, creio que se o país investisse mais na educação pública o Brasil não teria tomado o rumo que tomou décadas atrás. Vide um exemplo: Vamos supor que meu pai ganhe 13.000 reais de salário bruto, antes que ele receba o seu salário em sua conta bancária, são descontados alguns impostos feitos pelo governo, e seu salário cai para 9.000 reais, e isso eles denominam de salário líquido, fora vários outros impostos que o governo cobra dos cidadãos brasileiros ao longo do ano. É uma estatística, o Brasil é um dos países que mais cobra impostos e não reutiliza para o benefício dos cidadãos brasileiros, um pouco vergonhoso, não?
Depois de pensar um pouco nisso a única explicação racional é que os políticos e administradores do Brasil não querem pessoas pobres e menos favorecidas tendo ensino público de ponta, pois além de se importarem apenas com sua avareza e sua ganância, não é de interesse de nenhum deles que a base, a maioria brasileira seja informada, tenha estudos, eles querem uma massa, uma maioria alienada para eles poderem “controlar” com mais facilidade e para deixar que empregos mal remunerados como, por exemplo: trocadores e motoristas de ônibus, garis, garçons e derivados sejam ocupados por essa classe alienada, sem que atrapalhem seus filhos no concurso que eles vão fazer para ingressar em uma boa faculdade.
Esta marginalização - pessoas que estão à margem da sociedade, sem acesso a educação e saúde pública de qualidade cada vez tem menos chances de progredir-
A falta de estrutura familiar, e o pouco tempo dispensado em casa à família fazem com que mais cedo meninos e meninas entrem em contato com realidades como a bandidagem visando o lucro rápido, a prostituição e o uso de drogas como paliativo para sensações angustiantes que é não ter um futuro promissor, não ter uma família estruturada (não necessariamente ter uma família padrão, e sim um suporte emocional).
Ao abrir a porta, o indivíduo encontra a rua. A rua é de todos, e a rua não é de ninguém, por fim.
As pessoas passam tentando não ver porque estão correndo com as suas vidas e procuram não repararem nestes dramas sociais que é a exclusão do indivíduo levando-o as ruas, pois estes fatos já se tornarem normais em seus cotidianos.
Quem governa as ruas? O guarda? Os seguranças? Em Londres temos as câmeras, um perfeito “big brother” da segurança estatal.
Que ruas são estas? Ruas urbanas? Ruas de favelas? Ruas de terra? De pedra? Asfaltadas? Valões? A rua como grande empregador, que fornece o “ganha pão” a partir de ações moralmente não aceitas na sociedade que às vezes são estimuladas até pelo seu grupo familiar como pedir esmola, furtos, vender balas e fazer malabarismos em um sinal de transito, roubos, assaltos, brigas, assassinatos, venda de drogas. Onde está o Estado? Bom, ele está muito ocupado cuidando de seu próprio nariz, tente outra vez mais tarde. Ele no momento está cuidando de passagens aéreas para familiares de políticos, cuidando da compra de seus novos carros esportivos, mansões, está cuidando de seus paraísos fiscais, mas com certeza, não está cuidando da favela perto de sua casa, não está investindo para melhorar o ensino do colégio público que tem em frente ao nosso colégio, tenham certeza.
Poucas são as iniciativas privadas, que, salvo honrosas exceções como, por exemplo, o Instituto Airton Senna participa de ações altruístas, solidárias e humanitárias em prol de uma sociedade esquecida pelos administradores deste Estado.
Outro dia, eu estava indo para casa já de noite e um menino de rua, com nenhuma má intenção veio me pedir um chinelo, pois ele tinha caminhado o dia inteiro e seus pés estavam cortados, eu pude ver em seus olhos sua expressão de necessidade, de dor. Ele não me pediu esmola, só me pediu que lhe desse um casaco ou um chinelo, e de fato, eu poderia dar. Porém, alguma coisa deu em mim que eu o evitei, e disse uma desculpa dizendo que não poderia e que não tinha sobrando, mas eu tinha. Arrependo-me amargamente deste dia, chegando em casa o pobre menino não saia da minha mente, pus o chinelo nos meus pés e sai de novo alegando para minha mãe que iria para o mercado comprar algo e fiquei procurando o menino que tinha me pedido ajuda, infelizmente, não o encontrei. Este caso me atormenta até hoje, eu chorei por causa disto e fiquei sensibilizado, e até escrevi sobre isto.
Se nós refletirmos sobre isso, chegaremos a conclusão que de tanto dizermos que não temos, que não podemos e evitarmos os meninos de rua por mero preconceito imposto pela sociedade, quando chegar a hora em que alguém que realmente precise, que não venha te pedindo dinheiro e sim ajuda, você irá evitá-lo como uma reação espontânea, é um paradigma imposto pela sociedade, é um modelo, um modelo que diz que é perigoso, que é imoral e que devemos evitar estas coisas. É um modelo que impõe uma idéia preconceituosa sobre meninos e moradores de rua, uma generalização que diz que todos os meninos de rua são assaltantes, cheiradores de cola, bandidos. Às vezes é o próprio drama que você poderia estar vivendo, mas o seu condomínio de luxo, a carteira do seu pai, o seu estilo de vida impedem que você vá pra rua, porque a rua é a selva de pedras, é o último passo da decadência, é o fim da linha para muitas pessoas.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

ENFIM É SETEMBRO


Então é setembro
Hoje “me dei um tempo” para pensar na vida. Na minha vida! Afinal é setembro.
Decidi então que a partir do próximo amanhecer, vou alterar algumas minudências pessoais a cada novo dia, e ser um bocadinho mais feliz.
Por início, não vou mais olhar para trás.
O que aconteceu é passado, se errei, agora não vou conseguir corrigir.
Então, para que remoer o que passou?
Conjecturar sobre os desacertos sim e então bancar através deles o exercício para o “meu hoje”.
Nem todas as pessoas que amo, corresponde minha meiguices como “eu” gostaria... E daí?
A partir do próximo alvorecer vou prosseguir a amá-las, mas não vou tentar mudá-las.
As pessoas que amo, não precisam ser como eu sonho que sejam, para continuar a amá-las.
Não vou negar a sua essencial, por que eu não quero.
Mudo eu...mudo meu modo de vê-las. Respeito seu modo de ser.
Mas não pense que vou abdicar de minhas aspirações... imagine!!!
A partir de o próximo amanhecer, vou batalhar com mais garra para que eles ocorram.
Mas vai ser diferente. Não vou mais responsabilizar a mais ninguém por minha felicidade.
EU VOU SER FELIZ!!!
Não vou mais parar a minha vida porque o que desejo não acontece, porque uma mensagem não chega, porque não ouço o que gostaria de ouvir.
Vou fazer meu tempo...
Vou ser afortunado agora. Em setembro.
Incluirei outros dias pela frente!!!
Jamais oferecerei grandes importâncias às dificuldades que não tenho conseguido resolver.
Ao romper do próximo amanhecer, vou agradecer a Deus, cotidianamente por me abonar com forças  na sobrevivência ,apesar de minhas dificuldades.
Chega de padecer pelo que não obtenho pelo que não ouço ou não leio.
Pelo tempo que não tenho e até de sofrer por antecipação, pensando sempre, apenas nas dificuldades.
A partir de o próximo amanhecer, só vou pensar no que tenho de bom.
Chorar no ombros do amigos, jamais será necessário.
Vou aproveitar a presença deles para sorrir, cantar, para dividir felicidade.
A partir do próximo amanhecer vou ser eu mesma.
Nunca mais vou tentar ser um exemplo de perfeição.
Não vou enganar as pessoas com sorriso sem vontade e palavras lisonjeira só por que acho que eles querem ouvir.
A partir do próximo amanhecer vou viver minha vida, SEM MEDO DE SER FELIZ.
Vou persistir aguardando.  Não, não vou esquecer ninguém.
Mas...
A partir do próximo setembro, quando a gente se encontrar, com certeza,
vou te dar “aquele” abraço bem apertado, e com toda sinceridade dizer...
ADORO VOCÊ e tenho muito amor para lhe dar.
Então até setembro.

A TUA VOZ ME ENLOQUECE


V O Z
Só no esplendor de uma aurora encontro paralelo com o nascimento de um grande amor. 
A luz todo-poderosa que rompe o negro da noite e abafa o céu estrelado numa explosão laranja que nos ofusca, minutos após o sol despontar por detrás da linha do horizonte. Cega-nos, como a paixão. Acelera-nos o coração. 
Grava em todos os pedaços livres de memória a imagem de um rosto, o cheiro de um corpo ou o som de uma voz. 
É assim que se apodera de nós, prepotente, sem aviso. 
Sem trincheira ou blindado que nos proteja da invasão. Tombamos sem apelo nos braços de quem assim nos encantou.
O amor aquece como o astro-rei. E alimenta. 
Ignoramos a sede, a fome e o frio. 
Como plantas verdes, como girassóis, seguimos a luz que nos anima e carrega pela vida como um tapete mágico, pura levitação.
Dá-nos uma força tremenda, capazes de tudo para lutar pelo objectivo que os restantes oblitera. 

Nada mais merece a nossa atenção, nada ouse atravessar-se no caminho de uma violenta paixão. 
Como uma brigada de cavalaria avançamos para a conquista inadiável de um amor, coragem no limite do desespero. Porque só a vitória se aceita nessa guerra sem quartel.
Sem tréguas, empunhamos o melhor de nós e esgrimimos os argumentos que nos justificam vencedores.

Até à cedência total, à perfeição. 
De um sim entoado com um sorriso apaixonado, do calor transmitido pelo toque suave de uma mão, de um beijo consentido, bandeira branca à nossa investida por um grande amor.
Cada dia brilha mais quando nos ilumina a atracção por alguém.
Cada momento uma alegria, sol a pino, cada contacto um arrepio. 
A pele que nos fascina roçada pela ponta de uma mão. 
E depois a reacção, em cadeia, arrebatada, dançada como um tango pelos corpos em fusão. Nuclear, energia sem controlo.
Mentes ligadas no momento da explosão.
Solar, quente e cheia de luz. 
Molhada como um campo de espigas depois uma chuvada forte, de uma trovoada ao alvorecer.
O amor é mais forte do que a vida e por ele nos dispomos a abdicar do mais precioso dom. 
Quem não oferece o último suspiro em troca da respiração eterna de quem nos aprisionou no coração? 
A cobardia não contraria o impulso natural de quem ama, quando em defesa do alvo dessa devoção. Nem mesmo o instinto de conservação, ignorado sem apelo.
Não existe Deus, nem Pátria ou qualquer outra causa mais nobre que consiga imaginar para me sentenciar o fim. 

Nada acima do amor. Mato e morro sem hesitar, certo da justeza dos meus propósitos e da firmeza das minhas convicções.
O ocaso da vida pensa-se mais sereno na companhia de quem amamos. 
Sem o espectro da solidão, sem o frio seco de uma alma desprovida de paixão. 
Com a luz na nossa frente, sempre presente para nos guiar. 
Carinho, conforto, agora mais perto do momento do adeus. 
Um até já, pois todos acreditamos na eternidade de um amor verdadeiro. 
E na saudade dos que partiram antes de nós existe a esperança de uma ressureição do nosso amor, transformado em energia, a mesma que irradia um olhar transfigurado pelo poder da emoção.
A noite, a mesma que borrifa magia com um luar platinado ou com o céu rasgado por uma estrela que cai, é apenas mais uma incógnita no processo de transição para outro paraíso qualquer.
Quando o sol nascer outra vez.

GATOS & PEIXES

  • GATOS E PEIXES
    O gato raramente olha para um peixe como se não fosse uma ceia. Mas Kaiser, o gato desenvolveu um relacionamento duradouro com o peixinho.
    Ele regularmente se inclina para o aquário para um beijo carinhoso e um gole de água.

    Amor de verdade: Quatro anos Kaiser chega na bacia para beijar o peixinho Fishy

    "Ele gosta de água com sabor de peixe "

    Os dois animais de estimação adoram a companhia um do outro.
    "Isso acontece com tanta regularidade que eu acho que o peixe gosta da companhia."



    Desde sempre ser amigo e o que importa.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

MANEQUIS ALÉM MAR NA EUROPA

Vitrines  - Europa






S L I P P E R

A tendência do slipper



Eles estão por toda parte: na TV, nas vitrines, nas ruas. Os slippers são os novos queridinhos das antenadas em moda, super confortáveis, eles ganham acabamento com bordados, pedrarias, spikes e glitter para dar um charme especial aos looks de inverno.
Eles podem parecer novidade, mas os slippers são usados desde o século XV! Na época a nobreza utilizava o sapato como uma espécie de pantufa que só era usada no quarto. Em sua versão atual os slippers misturam a feminilidade da sapatilha com o conforto do mocassim.

Como usar slipper com calça

  •  Você pode usar este tipo de sapato em ocasiões informais ou no trabalho. Ele fica perfeito com calças sequinhas e cropped (com a barra terminando um pouco acima do tornozelo). Se a calça que você quer usar é larga ou comprida demais, se você é fã das pantalonas, também pode usar seu slipper com elas, só tome cuidado com o comprimento, garantindo que um pouco do sapato fique aparente, evitando assim o efeito “estou flutuando/não tenho pés”.

Slipper com short

  • Você pode combinar seu slipper com jeans, sarja ou com o short de couro .

Slipper com saias e vestidos

  • Você pode combinar o slipper com saias leves ou vestidos floridos para um visual romântico com carinha retrô. Como o slipper é baixinho, fique atenta às proporções e ao equilíbrio.
Garantam logo o de vocês !!