segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Cinema x Crítica

Para onde caminha a crítica?

Recados para Orkut

Debate Textos críticos perdem espaço nos meios de comunicação e também na academia

Perda de espaço — Colunas cada vez mais limitadas na mídia impressa. Essa é a situação na qual se encontra a crítica hoje, seja ela teatral, cinematográfica, de artes, musical etc. Mas, se é tão importante para o desenvolvimento intelectual, por que esse espaço beira o fim? Os altos preços do papel jornal e o contingente reduzido de leitores são possíveis respostas para a questão. No entanto, para Paulo Gomes, doutor em Artes Plásticas e curador do acervo do Instituto de Artes da UFRGS, a situação é mais complexa. O pesquisador acredita que “não há uma relação da crítica com a grande mídia devido à ausência de interesse por discursos esclarecedores. A grande mídia quer novidades, fatos que são notícia. Assim sendo, torna-se difícil uma relação entre um lado, que deseja um diálogo profundo e revelador, e outro, que quer superficialidade e ligeireza”. Já a jornalista, doutora em Cinema e presidente da Associação de Críticos de Cinema do RS, Ivonete Pinto, vê o fenômeno como natural, afirmando que “esta é uma tendência não só no Brasil: cada vez mais, jornais dão menos espaço à reflexão. Não fico lamentando. Acho que, em compensação, muitos são os espaços que surgem para provocar a reflexão. É preciso apenas que, tanto quem escreve quanto quem lê, procure ou os invente”.

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Crítica e público Um fenômeno curioso

Enquanto a crítica desaparece gradualmente dos grandes veículos de comunicação e a produção acadêmica não chega aos leigos, na Internet surgem quase que diariamente dezenas de blogs a respeito do tema. As páginas são compostas, em sua maioria, por simples opiniões, que refletem o parecer de seu autor sobre aquilo que o mesmo consumiu. No entanto, apesar de estarem muito longe do que poderia ser tomado por uma “crítica séria”, essas páginas pessoais e o seu sucesso revelam o que, há muito, os jornais e alguns intelectuais deixaram de perceber: o leitor, seja ele quem for, sente necessidade de interagir com a obra através da crítica. Mesmo considerando irresponsável o conteúdo da maioria dos blogs, Arthur Nestrovski acredita que o fenômeno ocorre porque as obras não são simplesmente para serem anunciadas e consumidas, embora existam dentro de um espaço como “mercadorias culturais”. Barbara Heliodora avalia que o despertar do interesse sobre o assunto, aliado à exposição do parecer do espectador, contribui beneficamente com o teatro. Celso Loureiro Chaves completa afirmando que “os blogs poderão, no futuro, funcionar como uma válvula de escape para a inexistência da crítica nos meios mais tradicionais de divulgação”.

Por Paula Vieira, estudante do 3º semestre de Jornalismo da Fabico — Especial para o JU

http://www.ufrgs.br/comunicacaosocial/jornaldauniversidade/110/pagina12.htm


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